Racismo e cultura patriarcal comprometem cuidados com a saúde da mulher e mortalidade materna

[Escrito por: Rádio Brasil de Fato / Repórter SUS – Editado por Wir Caetano/Dabliê]

Mulheres negras morrem numa proporção de 3 a 7 vezes maior na gestação, parto e puerpério [Arquivo Saúde Popular]
Essa semana celebra-se, em 28 de maio, o Dia Internacional de Luta Pela Saúde da Mulher e o Dia Nacional de Redução da Mortalidade Materna.

Cerca de 830 mulheres morrem todos os dias por complicações relacionadas à gravidez ou ao parto em todo o mundo, conforme boletim informativo de 2018 da Organização Pan-Americana (Opas/OMS). Estima-se que, em 2015, cerca de 303 mil mulheres morreram durante e após a gravidez e o parto. A maioria delas poderia ter sido evitada.

Segundo o levantamento, 99% das mortes maternas ocorrem em países em desenvolvimento. A mortalidade materna é maior entre mulheres que vivem em áreas rurais e comunidades mais pobres.

Entre 1990 e 2015, a mortalidade materna no mundo caiu cerca de 44%. Entre 2016 e 2030, como parte dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS), a meta é reduzir a taxa global de mortalidade materna para menos de 70 por cada 100 mil nascidos vivos.

As mulheres morrem como resultado de complicações que ocorrem durante ou depois da gestação e do parto. As principais complicações, quase 75% de todas as mortes maternas, são por hipertensão arterial, hemorragias graves (principalmente após o parto), infecções (normalmente depois do parto), complicações no parto e abortos inseguros. As demais estão associadas a doenças como malária ou infecção pelo HIV durante a gravidez.

Repórter SUS , programa produzido em parceria com a Escola Politécnica de Saúde Joaquim Venâncio da Fundação Oswaldo Cruz (EPSJV/Fiocruz), entrevistou a enfermeira Isabel Cruz, professora do Núcleo de Estudos sobre a Saúde e Etnia Negra da Universidade Federal Fluminense (UFF). Um dos focos que resultam em mortes maternas é o machismo e o racismo no setor saúde, produtores de iniquidades segundo a pesquisadora.

Embora a maternidade seja um fenômeno cultural biológico natural, dentro da questão de gênero esse fenômeno tem provocado a morte das mulheres numa taxa absurda”, denuncia a pesquisadora.

A negligência também é evidenciada com relação às doenças cardiovasculares, uma das principais causas de morte. “Geralmente quando chegamos com queixa proveniente do sistema cardíaco e não são poucos os profissionais que dizem se tratar de nervosismo, desconsiderando um quadro que leva a mulher a morrer de infarto de forma precoce”, cita.

Diante disso, ela enfatiza a importância de chamar a atenção dos profissionais e gestores de saúde em relação às discriminações que impedem a oferta do cuidado adequado às mulheres nos sistemas público e privado.