Projeto Memória recupera história de Geraldo Oscar, que inaugurou sindicalismo combativo em Monlevade

“Sou um paraplégico, mas não me arrependo de nada do que fiz para os operários de João Monlevade!”. Essas foram as primeiras frases de Geraldo Oscar de Menezes, emocionado, ao receber a equipe do projeto Memória em sua casa, no número 400 da rua Aço Norte, em Ouro Branco (MG), ontem, dia 9. Ele usa cadeira de rodas desde que sofreu em derrame cerebral, há mais de 20 anos. Durante a visita, a equipe entregou ao ex-sindicalista o diploma de “Ideal Operário”, que lhe foi dedicado ainda no ano passado, nas comemorações de 54 anos do sindicato, quando, infelizmente, não pôde comparecer.

Geraldo Oscar, 85 anos, foi presidente do Sindicato dos Trabalhadores Metalúrgicos de João Monlevade, por dois mandatos consecutivos, no período de1960 a 1964, inaugurando um sindicalismo combativo na cidade. Foi durante sua gestão que ocorreu a primeira greve na Companhia Siderúrgica Belgo-Mineira (CSBM), que durou 9 dias. Houve mais uma sob seu comando, com duração de duas semanas.

Seu último mandato foi interrompido à força, quando houve o golpe militar e policiais invadiram a sede da entidade, na rua Tieté, prendendo integrantes da diretoria. “Disseram que eu era comunista”, diz Geraldo, que ficou preso 30 dias no Dops (Departamento de Ordem Política e Social), em Belo Horizonte. Ele perdeu seus direitos trabalhistas e enfrentou dificuldades financeiras durante anos. Mas conseguiu reconstruir sua história de trabalho e de sonhos.

À frente do sindicato, Geraldo Oscar terminou de construir a sede da rua Tieté, iniciada pelo presidente anterior, Ambrósio Rodrigues, e implementou benefícios sociais importantes para os trabalhadores, como farmácia com política arrojada de descontos, funerária, gabinete dentário e barbearia. Além disso, com apoio dos trabalhadores que representava, conseguiu fazer com que a empresa passasse a pagar horas noturnas e,  ainda, inaugurar eleições livres para delegados sindicais. Sua atuação lhe garantiu respaldo popular e ele chegou a eleger-se vereador.

Geraldo Oscar é o único sobrevivente dos presidentes que comandaram o sindicato antes dos anos 1970.