Nos dias 29 e 30 de setembro, nosso presidente, Flávio Paiva, participou em Praga, na República Tcheca, da Conferência Global do Setor de Metais Básicos da IndustriALL Global Union, representando a CNM-CUT (Confederação Nacional dos Metalúrgicos da Central Única dos Trabalhadores) e os trabalhadores brasileiros.
O encontro reuniu cerca de 65 participantes de 30 sindicatos e 24 países, para discutir o futuro das indústrias do aço, alumínio, cobre, níquel e outros metais.
Durante os dois dias, representantes de diversos países mostraram que muitos dos problemas enfrentados pelos trabalhadores brasileiros também estão acontecendo no restante do mundo: pressão das importações, excesso de capacidade produtiva global, redução de postos de trabalho, reestruturações, aumento das metas, redução das equipes, custos de energia, transformação tecnológica e pressão crescente sobre os trabalhadores.

Um ponto ficou muito claro nos debates: não podemos aceitar que os trabalhadores paguem a conta das transformações da indústria.
Se governos destinam incentivos, proteção comercial ou recursos públicos para empresas, esse apoio precisa estar ligado à manutenção de empregos de qualidade, investimentos, respeito aos direitos sindicais, negociação coletiva, qualificação e participação dos trabalhadores. Esse princípio passou a integrar a própria Declaração de Praga, aprovada pela conferência.
Flávio também foi um dos painelistas da sessão dedicada à Saúde, Segurança e Pressão Psicológica no Trabalho.
Representando a experiência dos metalúrgicos brasileiros, ele destacou uma realidade que conhecemos muito bem:
competição global → redução de custos → aumento das metas → intensificação do trabalho → pressão psicológica.
Quando as equipes diminuem e a cobrança aumenta, crescem também o cansaço, a insegurança e o medo de interromper a produção.
Por isso, defendemos que pressão psicológica também é uma questão de saúde e segurança.
Um trabalhador pressionado ou fatigado pode assumir um risco para não atrasar a produção ou ter receio de interromper uma atividade insegura.
A segurança não pode depender apenas de EPIs e procedimentos. Ela também depende de equipes adequadas, jornadas seguras, metas compatíveis com a segurança e liberdade para o trabalhador dizer NÃO diante de uma condição insegura.
A conferência incorporou essa preocupação em sua declaração final, reconhecendo expressamente que a intensificação do trabalho, as reestruturações e a insegurança no emprego estão aumentando os riscos psicossociais e as pressões sobre a saúde mental.
Também foram debatidos a Transição Justa e a descarbonização, a responsabilidade das multinacionais por violações ao longo de suas cadeias de fornecedores, o fortalecimento da negociação coletiva e a necessidade de ampliar a cooperação internacional entre sindicatos.
Ao final, representantes sindicais assumiram o compromisso de fortalecer a solidariedade internacional, compartilhar informações e coordenar ações diante de reestruturações, violações de direitos e mudanças nas políticas industriais.
O Plano de Ação aprovado para 2027–2029 prevê inclusive uma pesquisa internacional sobre saúde e segurança que incluirá os riscos psicossociais, além de Transição Justa, digitalização e necessidades de qualificação.
É João Monlevade participando de uma discussão mundial sobre o futuro da siderurgia e levando para outros países aquilo que defendemos diariamente dentro das fábricas:
Competitividade não pode ser construída sobre medo, fadiga ou silêncio.
A vida e a saúde do trabalhador vêm primeiro.
Clique aqui para ver mais fotos do evento
